Você provavelmente já ouviu alguém dizer que começou a colocar chia nas frutas porque “ajuda o intestino”. E existe um motivo para ela ter ganhado essa fama. A chia é naturalmente rica em fibras e, quando entra em contato com a água, forma um gel. Essa textura vem da mucilagem presente na parte externa da semente, capaz de absorver e reter bastante água. Para o intestino, essa combinação entre fibra e água pode contribuir para a formação e a consistência das fezes, principalmente quando ela faz parte de uma alimentação que já oferece outras fontes de fibras (VALDIVIA-LÓPEZ; TECANTE, 2015; KNEZ HRNČIČ et al., 2020).
Sabe aquele gel que aparece quando você hidrata a chia?
Ele não está ali por acaso. Quando a chia encontra água, sua mucilagem forma uma espécie de gel ao redor da semente. Essa capacidade de reter líquido é uma das características mais interessantes quando pensamos no funcionamento intestinal. Porém, é muito importante lembrar que chia e água precisam andar juntas. Não adianta simplesmente aumentar a quantidade de sementes e não melhorar a hidratação. Para quem sofre com constipação, hidratação adequada, quantidade total de fibras, movimento e rotina intestinal continuam fazendo parte da mesma conversa (VALDIVIA-LÓPEZ; TECANTE, 2015).
E não é só sobre fazer o intestino funcionar
As fibras da semente de chia também chegam ao intestino grosso, onde podem interagir com a microbiota. Estudos experimentais mostram que componentes da semente podem ser fermentados pelas bactérias intestinais, com formação de metabólitos como os ácidos graxos de cadeia curta. Curiosamente, essa fermentação parece ser diferente quando a semente está inteira ou triturada, isso nos lembra também que até a forma como consumimos um alimento pode mudar o que acontece com ele durante a digestão (JAKOBEK; MATIĆ, 2023). Então, se você quase não consome fibras e começa a colocar muita chia em todas as refeições, seu intestino pode responder com mais gases, estufamento e desconforto. Fibra costuma funcionar melhor quando entra aos poucos e respeita a tolerância de cada pessoa, e por ser prática, a chia pode aparecer nas frutas, no iogurte, na aveia ou em outras preparações que você já gosta.
No fim, a semente de chia não precisa virar ritual, alimento performático ou receita obrigatória. Se ela combina com você, pode simplesmente ganhar um espaço no prato, porque para o intestino, a constância do que fazemos todos os dias costuma importar bem mais do que aquele alimento que ficou famoso por resolver tudo.
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Referências:
JAKOBEK, Lidija; MATIĆ, Petra. Novel constituents of Salvia hispanica L. (chia) nutlet mucilage and the improved in vitro fermentation of nutlets when ground. Food Chemistry, 2023.
KNEZ HRNČIČ, Maša et al. Chia seeds (Salvia hispanica L.): an overview—phytochemical profile, isolation methods, and application. Molecules, v. 25, n. 1, 2020.
VALDIVIA-LÓPEZ, Ma Ángeles; TECANTE, Alberto. Chia (Salvia hispanica): a review of native Mexican seed and its nutritional and functional properties. Advances in Food and Nutrition Research, v. 75, p. 53-75, 2015. DOI: 10.1016/bs.afnr.2015.06.002.
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