Alimentação Saudável

Alimentos anti-inflamatórios: o que realmente faz diferença?

Cúrcuma, gengibre, azeite e ômega-3 podem fazer parte desse cuidado, mas uma alimentação anti-inflamatória vai muito além de consumir alguns alimentos.

Alimentos anti-inflamatórios: o que realmente faz diferença?

Quando a gente pensa em alimentação anti-inflamatória, alguns nomes aparecem rapidinho: cúrcuma, gengibre, azeite, peixes… e sim, todos eles têm seu espaço. O problema começa quando parece que precisamos de um ingrediente específico para “desinflamar” o corpo. A inflamação não funciona assim. Ela é influenciada por vários fatores, e a alimentação entra como parte desse cuidado. Na prática, padrões alimentares como o mediterrâneo têm resultados interessantes justamente porque combinam vegetais, frutas, leguminosas, cereais integrais, azeite, oleaginosas e peixes com frequência, sem depender de um único alimento (KESHANI et al., 2026).

Você não precisa colocar cúrcuma em tudo ou começar o dia com um shot de gengibre para aproveitar esses alimentos. A cúrcuma possui compostos como a curcumina, enquanto o gengibre contém gingeróis e shogaóis, substâncias estudadas por sua relação com vias envolvidas na resposta inflamatória. Alguns estudos com suplementação em doses específicas encontraram melhora em determinados marcadores inflamatórios, mas isso é diferente da quantidade que normalmente usamos na cozinha (FARZAEI et al., 2021; MORVARNIDI et al., 2023). Então eles podem continuar exatamente onde fazem sentido: temperando a comida, entrando em uma receita ou naquele chá que você gosta sem precisar carregar a responsabilidade de “desinflamar” o organismo sozinhos.

Um fio de azeite extravirgem na salada pode parecer uma escolha pequena, mas ele traz ácido oleico e compostos fenólicos que vêm sendo estudados por seus efeitos sobre marcadores relacionados à inflamação e ao estresse oxidativo (DA SILVA et al., 2025). E quando falamos em ômega-3, peixes como sardinha, salmão e cavalinha são fontes de EPA e DHA, ácidos graxos envolvidos inclusive na formação de moléculas que participam da resolução da resposta inflamatória. Estudos também encontram efeitos favoráveis do ômega-3 sobre alguns marcadores inflamatórios, embora a resposta varie entre pessoas, doses e condições avaliadas (KHORRAMI et al., 2022). Ou seja: eles ajudam a compor o prato, mas continuam fazendo parte de um contexto bem maior.

Não adianta colocar cúrcuma no almoço e azeite na salada, se verduras, feijão, fibras e outros alimentos in natura quase nunca aparecem na rotina. Quando olhamos para os estudos, o padrão alimentar costuma importar muito mais do que eleger um ou dois alimentos como protagonistas. Dietas com maior presença de alimentos vegetais, gorduras insaturadas, peixes, leguminosas e menor participação de ultraprocessados apresentam resultados mais favoráveis em diferentes marcadores relacionados à inflamação (SAJADI-ERNAZ et al., 2025). E talvez isso deixe tudo um pouco mais simples: você não precisa procurar um alimento perfeito, precisa olhar para aquilo que se repete diariamente.

Assim, a cúrcuma, o gengibre, o azeite e o ômega-3 são ótimos exemplos de alimentos que podem fazer parte de uma alimentação com perfil anti-inflamatório. Mas é o conjunto que faz essa conta fechar. Mais variedade, mais comida de verdade e escolhas que consigam continuar acontecendo na vida real são indispensáveis, porque cuidar da alimentação não deveria depender daquele ingrediente especial que você comprou e esqueceu no fundo do armário.

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- Referências:

DA SILVA, Bárbara B. et al. Effects of daily extra virgin olive oil consumption on biomarkers of inflammation and oxidative stress: a systematic review and meta-analysis. Critical Reviews in Food Science and Nutrition, 2025. DOI: 10.1080/10408398.2025.2525446.

FARZAEI, Mohammad H. et al. Anti-inflammatory effects of oral supplementation with curcumin: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Phytotherapy Research, 2021.

KESHANI, Mahdi et al. Mediterranean diet reduces inflammation in adults: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Nutrition Reviews, v. 84, n. 9, p. 1776–1790, 2026. DOI: 10.1093/nutrit/nuaf213.

KHORRAMI, Zahra et al. Efficacy of the omega-3 fatty acids supplementation on inflammatory biomarkers: an umbrella meta-analysis. International Immunopharmacology, 2022.

MORVARNIDI, Vahid et al. Antioxidant and anti-inflammatory effects of curcumin/turmeric supplementation in adults: a GRADE-assessed systematic review and dose-response meta-analysis of randomized controlled trials. Cytokine, 2023.

SAJADI-ERNAZ, Shakila et al. Dietary patterns associated with anti-inflammatory effects: an umbrella review of systematic reviews and meta-analyses. Nutrition Reviews, 2025.

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